Ok, decidido que eu iria de ônibus, peguei minha mala e fui catar a parada de ônibus. No meio do caminho, fui abordada por diversos taxistas perguntando para onde eu ia e oferecendo preços fixos para evitar que eu pegasse o ônibus de linha. Não dei muita atenção a eles e continuei na busca da parada. Até que encontrei. Parou um indigente do meu lado e já me apavorei. Eu era a única com cara de turista naquela parada que até que tinha bastante gente! Fiquei atenta ao meu redor e segui no meu foco aguardando o ônibus. Quando ele estava vindo, reparei que ele estava bem rápido e até parecia que não ia parar, mas sim parou e bem longe da calçada. Entrada pela porta de trás! Primeiro ponto de mistura cultural, já que aqui em Porto Alegre há alguns bons anos a entrada é pela porta da frente. Paguei a passagem e sentei bem próxima do cobrador, pedindo para que ele me avisasse da parada lá em Pituba.
Nunca vou esquecer de uma conversa que escutei, mas não entendi, hehehe... Tinha uma senhora que parecia estar voltando do trabalho e ter encontrado um conhecido que não via há tempo. Eles começaram a conversar com um sotaque tão forte, mas tão forte e com uma velocidade tão grande, que eu cheguei a duvidar se era português! Hehehehe... Fascinante.
De maneira discreta, de tempos em tempos dava uma olhada no GPS do meu celular para ver se o ônibus estava indo em direção ao meu destino e sim, tudo certo. No trajeto, saímos do aeroporto através de uma rodovia suuuper arborizada, depois passamos por um centro comercial beeem agitado e em fim chegamos à avenida beira-mar! Que vista! Mas que vista! Sensacional ver aquele mar tão azul, aqueles coqueiros de filme e a areia branquinha! Eu devia estar com uma cara de turista sem preço! Hahahaha...
Falando de coisas que não esquecerei, muito engraçado foi o episódio a que assisti quando o ônibus parou numa parada, uma senhora foi entrando enquanto conversava com a outra e de repente o ônibus arranca sem a segunda senhora entrar!!! Geeente, a senhora que entrou começou a falar em tom de voz normal e beeeem devagariiiinho com um sotaaaque arretaaaadooo: "ôôôô mooooço, páári u ôôônibux; pááári u ôôônibux, ôôôôô seu cobrádooorr, u sinhô num vai fazê nada nããão? minha amiiiga!!! páári u ônibux!!!". Eu só sei que o ônibus já tinha andado umas três paradas e a mulher continuava a "xingar", mas era de uma forma tão lenta que não tinha como segurar o riso! Tadinha da que ficou na parada e da que ficou sem a amiga no ônibus, mas foi engraçado ver a maneira como ela reclamava! Eu teria dado um berro bem alto e rápido e deu! Segurei o riso e continuei na viaaagem, hehehehe...
"A próóxima é a da sinhóóra!". Entendido. Fui para a frente do ônibus e desci. Para evitar pegar o celular, perguntei para as pessoas que estavam na parada para onde era a rua que eu precisava, até que me deram as informações corretas e achei o hotel bem fácil. Fiz o check in, coloquei um biquíni, uma saída de banho e me mandei para a beira da praia. Entretanto, quando saí do hotel comecei a reparar que não tinha muito turista por lá. Todo mundo com cara de trabalhador e já comecei a me sentir estranha. Não desisti e fui para a praia. Chegando lá, só pescador!!! E dos assanhados! Bah, que sensação horrível! Vontade de sair correndo. Dei meia dúzia de passos pela areia e não aguentei. Voltei para o hotel para colocar uma roupa!!!
De lá não voltei mais para a beira, mas sim me dirigi para o local de prova que seria o meu destino da manhã seguinte. Conheci o local e vi o tempo que levei a pé. Encontrei um mercado, já fiz umas comprinhas e voltei ao hotel. De noite estudei mais um pouco, principalmente o speaking (parte do teste que é oral), que é meu ponto fraco e estava mais enferrujado.
Local de prova
Acordei com bastante antecedência, preparei minha bolsa com a documentação e um chocolate para o intervalo e fui! Chegando lá, que nervoso! Quieta e introvertida (só que não) do jeito que sou já comecei a puxar assunto com quem tava perto de mim para ver se eu me acalmava, hehehe... Fiz o cadastro, fui no banheiro, deixei a bolsa no armário e entrei para a sala de prova. Queeee nervoooosooo, puxa vida! Tudo informatizado e cronometrado. Primeiro foi a prova de reading (parte do teste que tu lê e responde perguntas sobre interpretação dos textos lidos) e depois o listening (parte que tu escuta trechos e depois responde perguntas sobre o que foi escutado). Quando terminei essa parte, apareceu na tela: "Agora é seu intervalo. Você tem 10 minutos para sair e retornar ao teste." Saí da sala apavorada para correr no banheiro e engolir o chocolate, mas vi as pessoas na maior calma conversando lá fora e não entendi. A moral é que aquele local de aplicação de prova não dava 10 minutos de intervalo. O intervalo correria até o último candidato acabar esse primeiro bloco e desse seus 10 minutos para depois todos voltarmos juntos. Achei aquilo muito estranho, fiquei com medinho, mas pensei: "se eles sempre aplicam essa prova e sempre fazem assim e nunca tem problema: calma! não vai dar problema". Findado o intervalo, retornamos à sala e veio a parte que eu tinha mais medo: o speaking (teste oral). Eu teria que escutar uma pergunta, pensar numa resposta em 15 segundos e falar a resposta para ser gravada por 45 segundos e depois a gravação é interrompida e já vem a outra pergunta. Queeee sufooocoo!!! Nossa, a injeção de adrenalina no sangue foi impressionante, tremia feito vara verde, mas deu tudo certo! Por fim, veio o writing (parte do teste em que a gente escreve dois textos) e depois ACABOOOU! Ufa! Alívio indescritível! Sensação de que haviam tirado um elefante de milhões de toneladas das minhas costas porque o que eu poderia ter feito foi feito!
Quando saí da prova, tinha dois meninos esperando suas caronas e ficamos conversando sobre as questões do teste e também sobre a vida, hehehe. Falei que eu era turista, que só ia embora no dia seguinte e não sabia onde ir fazer turismo àquela hora (13h). Um dizia: vai para o mercado modelo e para o pelourinho e o outro dizia: nããão, vai conhecer a praia da barra. Expliquei que eu queria muito conhecer uma praia turística e que, inclusive, havia tentado ir na beira da praia ali em Pituba, mas não havia turistas! Eles riram bastante e explicaram que ali não era um local turístico, mas que era para eu ir à praia da barra porque lá sim eu poderia andar de biquíni sem me sentir fora de contexto. Decidi que eu ia conhecer a Praia da Barra e depois, se desse tempo, iria para o centro por questões de logísticas de transporte e interesse meu também. Saí de lá, fui almoçar, coloquei um biquíni por baixo da roupa e fui turistar!
Peguei uma lotação na esquina do hotel mesmo e fui conversando com o motorista! Um querido, foi meu guia turístico!

Vista de dentro da lotação
Deu as dicas de onde ir, o que ver e quando eu vi já tinha chegado na Praia da Barra: que lugar espetacular!
Praia da Barra
Selfie na Praia da Barra
Conforme as dicas do motorista, desci no início da orla e fui caminhando em direção ao farol (dá para ver na foto acima o farol lá bem no fundo distante). Foi maravilhoso. Como os guris baianos me disseram, lá sim era uma praia turística! Cheia de gente na areia, guris jogando bola, gurias pegando um Sol e nada de pescadores, hehehe... Tive vontade de entrar na água, mas não teria com quem deixar as minhas coisas e não estava afim de ficar com a roupa molhada. Quando cheguei no farol, descobri que ele foi transformado num museu. Vi que o preço era acessível e entrei para conhecer.
Museu Náutico da Bahia
Farol da Barra
Pôr do Sol no Farol da Barra
Dentro do museu, conversei com uma mulher que estava lá para dar explicações sobre o Museu (mas como era praticamente só eu lá dentro, ficamos batendo papo). Perguntei se ela era baiana e disse a ela que eu queria muito conhecer o centro histórico de Salvador, mas que estava com receio já que meu pai havia me dito que o Pelourinho é muito perigoso. Ela concordou com meu pai, disse que não valia a pena eu ir ao pelourinho, mas que o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda eram bastante movimentados até as 21h. Me empolguei com a ideia e fui pegar um ônibus para o centro (mal sabia eu onde que eu estava me metendo...). Depois que entrei no ônibus, conversando com o cobrado, ele me disse que o ônibus parava na cidade alta (onde fica o Pelourinho) e não na cidade baixa (onde fica o Mercado), mas que para ir no Mercado bastaria descer o Elevador Lacerda. Já me preocupei. Vendo a minha cara de turista, ele perguntou: "Mas o que que tu quer fazer no Mercado???" "Conhecê-lo! Me disseram que ele é movimentado até as 21h." "Que que é iiiiisso!!! Ele não é nãããão!!! Ele fecha às 18h e depois não tem mais ninguém lá! É muito perigoso! Vá conhecer o Pelourinho então!" "Mas me disseram que o Pelourinho que é mais perigoso!!!" "Não é não! O fim da linha é bem perto dele." Bom, instaurou-se o pânico dentro de mim. Entrei no ônibus de dia e nem havíamos chegado no fim da linha e já era noite! Comecei a sentir que o terreno estava ficando muuuito inóspito. Socorro! Bueno, chegou o fim da linha: numa rua deserta, com todas as lojas fechadas e vááários indigentes na rua: PÂNICO, SOCORRO! De repente, vejo um rapaz com uma mala (cara de turista) pedindo ajuda para uma senhora e escuto ela dizendo: "Sou daqui sim, cê qué ir para onde? Vem comigo e vamos juntos!". Pronto! Já me apresentei a eles em poucos segundos, antes de descermos do ônibus, e disse: "Por favor, também sou turista, posso ir com vocês para não descer sozinha do ônibus?" "Mas aonde cê quer ir, fia?" "Não sei, eu queria conhecer o Mercado e o Elevador Lacerda, mas não sei mais nada, não quero mais nada, só ir embora!" "Mercado??? Já fechooou, o Elevador Lacerda a essa hora é muito perigoso!!! Tô indo para o Pelourinho com esse rapaz, vem com a gente!". Puxa vida, pensei: "Poxa, o único lugar que meu pai disse para eu cuidar é para onde estou indo de noite com duas pessoas que eu não conheço contrariando o que a moça do museu falou! Afe, agora já era, não posso ficar aqui sozinha, fui!". E assim me fui com eles! Descemos do ônibus, caminhando beeem ligeiro para não dar bobeira, passamos voando pelo Elevador Lacerda em direção ao Pelourinho e quando olhei o Elevador estava fechado, com um pancadão do funk rolando com umas pessoas estranhas e, seee eu louca quisesse pegar o elevador, teria que passar por ali!!! Loucura total!
Tentativa de foto do Elevador Lacerda (tirei a foto enquanto caminhávamos/corríamos passando pelo local - o prédio à esquerda é o elevador e as luzes à direita são da balada que estava rolando no local)
Bom, continuamos caminhando e passamos pela primeira Faculdade de Medicina do Brasil!!! A senhora super querida fez questão de tirar foto de mim na frente dela - mesmo dizendo que eu tinha que cuidar com o celular e que não poderíamos bobear por ali. Passamos também pelo Terreiro de Jesus / Praça 15 de Novembro. A senhora me explicou que ela estava indo em direção à aula dela de francês (se eu não me engano) e insistiu que eu andasse mais por ali com ela. Eu disse que só queria pegar um taxi e voltar ao hotel, mas ela continuou insistindo, dizendo que não tinha problema caminhar por ali se eu ficasse atenta. Reparei que até que ali era bem movimentado, com bastante turista, e que ia começar um show ali no Terreiro. Caminhamos em direção à aula dela por uma ladeira até chegarmos no Largo do Pelourinho, na frente da Fundação Casa de Jorge Amado! Ela de novo fez questão de tirar foto de mim.
Primeira Faculdade de Medicina do Brasil
Terreiro de Jesus/ Praça 15 de Novembro com a Igreja de São Francisco / Catedral de Salvador ao fundo
Largo do Pelourinho
De lá, ela me disse como voltar ao Terreiro e ir pegar um taxi. Maaas, que não era para eu pegar um taxi do Terreiro, porque ali os taxistas se aproveitam dos turistas. Era para caminhar em direção à faculdade para pegar um e era para, quando eu entrasse no taxi, eu dizer que sou moradora daqui para evitar superfaturamento... Imagina a minha cara ouvindo todos esses avisos e poréns e detalhes e aaaaaaaaaaah!!! Ok, me despedi dela, uma querida, e fui embora correndo, hehehe... Cheguei perto da Faculdade e encontrei dois policiais parados. Permaneci ao lado deles esperando um taxi e peguei o primeiro que veio. "Para Pituba por favor." "Tem algum caminho de preferência?" "O mais rápido por gentileza." "Ah tá bem, é que eu costumo perguntar, porque às vezes o cliente conhece algum caminho mais curto. Você é daqui?" Aaaaaah, droga, vou ter que mentir... "Aham, me mudei faz pouco. Estou morando aqui perto e agora vou ver meu pai que veio me visitar e está hospedado lá em Pituba..." Ufa, me safei! Hahahaha... Demorou, mas cheguei sã e salva no hotel! QUE AVENTURA! Sério, muitas emoções... Foi só chegar no quarto, arrumar as malas e capotar para madrugar no dia seguinte e pegar o voo de volta!
Aventuras à parte, a viagem foi excelente! Agradeço de coração aos meus pais por todo o esforço deles em financiar essa etapa pela qual tive que passar para não abandonar meu objetivo cada vez mais próximo de mim: CsF!
Sei que demorei para escrever esse capítulo de continuação do anterior, mas espero ser mais assídua por aqui daqui para frente, ok? Hehehe...
Até logo, pessoal!












