sexta-feira, 28 de julho de 2017

Pré-conceitos

Se perguntarmos a alguém "tu tem preconceitos?", geralmente a pessoa responde rapidamente e quase ofendida que "não, né?". 
Pois é, eu também queria acreditar que eu não tinha preconceitos. Não queria aceitar que eu também poderia ter defeitos que tanto eu abomino... Mas o fato é que vivemos numa sociedade pautada por pré-julgamentos e basta nascermos nela para absorvermos muitos conceitos e pré-conceitos mesmo sem perceber. 
Eu gostaria de dizer "não, eu não tenho preconceitos", mas infelizmente sei que tenho. Não me orgulho disso, mas ao mesmo tempo esforço-me para não me culpar, pois não escolhi nascer nessa sociedade que trata como "normal" situações que infelizmente são apenas comuns. Pelo contrário, reconheço e aceito meus privilégios e luto a cada dia para desfazer meus comportamentos que se tornaram "medulares" mesmo sem eu querer.
Essa consciência não foi construída rápida nem facilmente - na verdade ainda está em construção. Mas posso dizer que um dos textos que mais me despertou para a reflexão foi o que segue. Boa leitura.

"Esses dias estava andando na Avenida Praia de Belas de noite e vi, uns cento e muitos metros à frente, duas figuras vindo em minha direção, calmamente. Senti uma leve necessidade de aguçar a minha visão e ver se seria possível atravessar a rua em uns 50 ou 70 metros no futuro. Notei logo após que as duas figuras eram um pai e um filho. Negros. Voltando de uma caminhada no marinha, um filme no shopping, algo assim. Um programa de pai e filho.

Eu, que sou a favor de cotas, que abomino racismo, que desde os tempos de creche tenho amigos e colegas negros (embora poucos, devido a disparidade absurda de renda média por cor de pele) senti um desconforto de alguns segundos.
Eu que tenho 24 anos, estava tranquilo no momento, não sou paranoico quanto à violência e tenho o ensino superior quase completo me preparei por segundos para atravessar a rua.
Eu que trabalho em hospital e posto de saúde com pacientes negros, funcionários negros, médicos negros, enfermeiros negros, etc e os julgo e respeito pelo conteúdo do caráter e não pela cor da pele, olhei para um pai e um filho andando na mesma rua que eu com roupas semelhantes às minhas e pensei 'quem são esses caras?'.

Quando passei pelos dois olhei para o menino, de uns 12 anos, e me senti triste, envergonhado, humilhado. Olhei então para o pai, que fez um rápido aceno de cabeça para mim, me olhando nos olhos, e o sentimento aumentou.

Se tivesse conseguido falar algo naquele momento teria pedido desculpas aos dois, teria parabenizado o pai pela coragem de sair na rua para ter um momento pai-e-filho em um país tão cheio de gente perigosa e preconceituosa em vez de deixar o medo de pequenos e grandes ataques racistas vencerem seu direito de ir e vir de noite e de dia.

E diria ao menino: "Não se contente com brancos não atravessando a rua e não desviando o olhar. Não se contente com cotas. Não se contente com um 'branco consciente' como eu."
E terminaria com: "Querem me dizer alguma coisa?" Porque eu sei que é importante que nós brancos falemos também de racismo, mas o principal é ouvir mais e mais de quem muito viveu mas ainda pouco foi ouvido sobre isso."

Gustavo HR

terça-feira, 11 de julho de 2017

Diversidade LGBTQIAP

A atual sigla LGBTQIAP (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, transsexuais, travestis, queer, intersex, assexuais, ally, pansexuais, não-binários)




1. Orientação sexual (por quem se sente atração sexual)

Homossexuais:
L = Lésbicas
Mulheres homossexuais. Mulheres que sentem atração sexual por mulheres.

G = Gays
Homens homossexuais. Homens que sentem atração sexual por homens.

B = Bissexuais
Mulheres e homens que sentem atração por mulheres e por homens, podendo ser de forma igualmente ou não.

A = Assexual
Pessoas que não sentem atração sexual por nenhum gênero, nem ninguém. Não se interessam por relações sexuais, o que não significa que não se interessam por relações e vínculos emocionais, por isso pessoais assexuais podem ter orientação sexual hetero/homo/bi. Por exemplo, um homem que não sente desejo sexual, porém se envolve romanticamente (sentimento) apenas com homens, é um homem assexual gay.

P = Pansexual
Pessoas que sentem atração sexual por pessoas de todas as orientações sexuais e identificações de gênero, ou seja, toda a gama LGBTQIA, em adição H – heterossexuais.
Frequentemente – e erroneamente – é confundido com atração por objetos, animais, plantas etc (o que é mentira). Também erroneamente confundida com bissexualidade, o que também é mentira pois nem todo bissexual sente atração por pessoas trans e/ou intersex. Pansexualidade já foi descrita como um meio de evitar os polos binários (homem/mulher) e o essencialismo da bissexualidade.


2. Identidade de gênero (como se identifica a si mesmo)

T = Transgêneros 
Pessoas que se identificam com um gênero diferente daquele registrado no nascimento. Não tem nada a ver com a orientação sexual da pessoa, ou seja, com por quem ela sente ou deixa de sentir atração sexual.
E, ao contrário do que alguns podem pensar, antes de ser uma questão de orientação sexual, é uma questão de pertencimento cultural e social. Ser transgênero não implica um desejo de mudar de sexo biológico, nem a existência de atração por pessoas do mesmo sexo. O que há é um conflito de identidade de gênero.
Homem Trans: quando nasceu foi registradx como ‘Mulher’, porém identifica-se como ‘Homem’ e, portanto, é homem. Exemplo: Thammy (Thommy) Gretchen.
Mulher Trans: quando nasceu foi registradx como ‘Homem’, porém identifica-se como ‘Mulher’ e, portanto, é mulher. Exemplo: Laverne Cox.

Cisgênero
Contrário de Transgênero, ou seja, pessoas que se identificam com o gênero com o qual foram registradas no nascimento. Não tem nada a ver com a orientação sexual da pessoa, ou seja, com por quem ela sente ou deixa de sentir atração sexual.
Mulher Cis: quando nasceu, foi registrada como mulher e continua se identificando como mulher.
Homem Cis: quando nasceu, foi registrado como homem e continua se identificando como homem.

T = Transsexuais 
É aquele que deseja alterar sua constituição biológica e fazer a mudança de sexo, sendo a cirurgia a única forma de se sentirem totalmente identificados e correspondidos na identidade de gênero que sentem pertencer, mas que não foi biologicamente atribuída.

Obs: esse conceito que distingue transgêneros e transsexuais dessa forma, é apenas uma das vertentes que existem atualmente. Há quem diga que transgênero seria o termo guarda-chuva que abrange os demais, e há quem diga que o guarda-chuva seja o transsexual. Ainda não há consenso sobre esse aspecto, portanto está mencionado o que nos parece mais comum.

T = Travestis
O termo travesti é um termo mais marginalizado. Está permeado de questões econômicas e sociais. Nas palavras da cartunista Laerte “Crosdresser é uma travesti de classe média”.
Muitas mudam seus nomes, corte de cabelo, modos e trejeitos, timbre de voz de acordo com o sexo almejado.
Algumas chegam a usar hormônios, realizar cirurgias plásticas, como o silicone nas mamas e nádegas, mas não há o desejo de mudar de sexo. Não anseiam nem procuram pela cirurgia sexual.
Ser travesti também não tem relação direta com a homossexualidade (orientação sexual). A travesti pode ser tanto heterossexual, homossexual ou bissexual.

3. Outros termos

Q = Queer
Um termo guarda-chuva que abraça uma variedade de preferências, orientações e hábitos sexuais das pessoas que não se encaixam na maioria heterossexual e cisgênera. O termo Queer inclue, mas não é exclusivo de lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersex. Tradicionalmente o termo seria pejorativo e ofensivo, mas muitas pessoas o usam para se auto-identificar de uma maneira positiva e orgulhosa.
Termo famoso: We’re here, we’re queer. (“estamos aqui, somos queer”)

I = Intersex
Pessoas intersex nasceram com genitália ambígua (antes eram chamados de hermafroditas, mas foi descoberto que esse termo não deve ser utilizado para humanos). As pessoas intersex podem vir a ser não-binárias, mas também podem se identificar apenas com um gênero. Pode incluir outras características de dimorfismo sexual como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo.
Exemplo: Roberta Close

Ally = Aliado
Pessoas que não se identificam como LGBTQIA, porém apoiam e lutam junto pelos direitos da sigla. Termo substituto para o antigo S de ‘Simpatizante’.

Não-Binários
Pessoas cujas características físicas e psicológicas não se categorizam exclusivamente como ‘masculino’ ou ‘feminino’. A pessoa pode em um dia se identificar e se apresentar como um gênero e no dia seguinte como outro. Também costumam usar o termo “Fluído” para se definir.
Exemplo: Liniker, Miley Cyrus (recentemente declarada).

Drag queens
São artistas performáticos que se vestem com figurinos artísticos, gerlamente femininos (mas não é necessário que sejam), independente da sua identidade de gênero, para apresentações. Não tem relação direta com orientação sexual nem com identidade de gênero.
Ex: Pabllo Vittar (homem cisgênero gay).

Crossdressers 
São pessoas que usam roupas associadas ao gênero oposto no dia a dia, por interesse ou fetiche.
Ex: Em 2009, a cartunista Laerte admitiu ser crossdresser e acabou tornando-se porta-voz desse movimento. Atualmente, se identifica com o gênero feminino e afirma ser bissexual. Segundo ela,  “o crossdresser é um travesti de classe média”.

4. Tipos de relacionamento:

Monogamia
Pessoas que mantém relacionamentos exclusivos, ou seja, quando está namorando com uma pessoa, tem acordo de fidelidade, de não ter envolvimento físico e/ou emocional com outras pessoas além daquela.

Poligamia / Poliandria
É quando uma pessoa retém o direito de se relacionar com mais de uma ao mesmo tempo. Por exemplo, uma mulher com direito de namorar/casar com outros cinco homens de sua escolha. Já esses homens escolhidos por ela não tem direito de se relacionar com outra pessoa que não ela. A poligamia está frequentemente relacionada com relacionamentos fixos, ou seja, namoro e casamento. Ela também é muito comum em diversas culturas de diversos países.

Relacionamento Aberto
É quando duas pessoas envolvidas em um relacionamento sério fixo (namoro/casamento) tem o acordo de que elas podem ter envolvimento físico com pessoas fora desse mesmo relacionamento. Geralmente, o acordo inclui regras como conversar antes para falar sobre o interesse em uma pessoa terceira e avisar previamente sobre esse envolvimento; também pode incluir a exigência de que sentimentos não sejam envolvidos com terceiros.

Poliamor
Frequentemente confundido com Poligamia, significa, na verdade, a exceção. É quando mais de duas pessoas se envolvem fisicamente e/ou emocionalmente num relacionamento conjunto. Por exemplo, quatro pessoas que mantém um relacionamento fixo entre si, sendo que as quatro se amam, se tocam, se beijam, mantém relações sexuais etc. Sabe o famoso “triângulo amoroso”? Ele é um poliamor.

Amor Livre – Relações Livres
O RLi defende a prática de todo tipo de relação amorosa – inclusive a monogâmica – não atrelada a quaisquer registros formais. Ou seja, pessoas que se relacionam sem entitular-se “namoradxs” ou “casadxs”, pois consideram isso uma forma de controle submissão. Surgiu como uma forma de embate à legislação das uniões amorosas.