quarta-feira, 6 de julho de 2016

Carta a um amigo

"Hoje abri o DA sozinha pela primeira vez. Foi impossível entrar e não lembrar de ti em casa centímetro desse lugar que foi tua segunda casa. Ainda mais por pensar que, se estou aqui abrindo esse diretório, é pq tu foi a pessoa que abriu as portas dessa gestão para mim. Logo que entrei, fui ligando as luzes e lembrando de momentos em que tive o prazer de passar contigo, como no primeiro dia em que eu estava de volta da viagem e tu estava com teu computador (como sempre) organizando arquivos e me ofereceu materiais de estudo. Ou quando vi o cartaz de interditado e lembrei da cena de tu desentupindo o vaso sanitário masculino no dia de limpeza que fizemos aqui no DA. Ou do dia em que estávamos chegando no DA e tu me contava de quando fui tua monitora de genética e te ensinei a transcrição pq por algum motivo tu tinha perdido as aulas (e eu não lembrava que tu era tu!!!). Ou do dia em que eu estava lavando a louça e tu me contava que te espantava o fato de as pessoas não gostarem de estudar mesmo estando na faculdade que elas tanto estudaram para entrar. São tantas lembranças boas.

Meu querido amigo, nossa amizade pode de fato ter sido breve, mas tenho certeza que foi o tempo suficiente para eu ter uma amostra grátis de como tu era excelente em tudo.

Nesse fim de semana fui numa festa. Numa festa de sertanejo. Foi impossível não lembrar de ti. Lembrar de tu me contando o quanto gostava de dançar ou do dia que nos contava/ imitava como teus pais dançavam em dia de festa de família.

Sei que infelizmente talvez não tenhamos tido tempo suficiente para eu conhecer mais das tuas histórias, inclusive as do exército que agora tenho ouvido tanto através dos outros. Mas se há algo que jamais esquecerei será do dia em que estávamos saindo da biblioteca, eu, tu e o Andrio, depois de estudar valvulopatias entremeado por ótimas histórias (do intermed inclusive, quando fizemos planos sobre a possibilidade de irmos juntos e tive a certeza de que tinha um parceiro de festas ali tbm). Dentre as histórias, teve tbm muitas imitações, em sua grande maioria todas do Andrio; ri até doer os carrinhos. Nós três caminhando pelo corredor do segundo andar em direção à escada e eu disse: "Ai, já me sinto super amiga de vcs dois e não tem jeito! Agora não vejo a hora de ter intimidade o suficiente com vcs para tu tbm saber me imitar, Furlan!". E tu me respondeu: "E tu acha que eu não sei? Claro que sei!". Minha alegria foi imensa e obvia e instantaneamente pedi para que tu me imitasse. A minha expressão clássica escolhida foi a que uso em momentos de espanto/ surpresa: "mas como assim?!?!". Com a minha careta e os movimentos que faço com as mãos acompanhando as palavras. Ri tanto. E lembro exatamente daquele teu sorriso tão teu. Aquele que tu fazia meio que tampando a boca e encolhendo os ombros, que usava quando sabia que teoricamente talvez não devesse rir de tal situação (minhas caretas no caso). Uma risada tão gostosa e espontânea que contagiava qualquer um que estivesse ao teu redor. Aquela manhã de estudos estará para sempre guardada no meu coração.

Ai a saudade. Já foi muito difícil, quase insuportável. Está sendo e ainda será. Mas aos poucos o senhor de tudo, o tempo, nos ajuda a lidar com essa dor que às vezes vem e parece não sair mais.

Prometo continuar fazendo tudo que estiver ao meu alcance para honra nossa amizade. Continuarei colocando tua amada família em minhas orações, sendo um carrapatinho na vida do Andrio e fazendo de tudo para ser tua discípula na vida acadêmica, profissional e moral!

Com todo meu carinho, Bi."


Texto escrito em 04 de janeiro de 2016 às 8h56min no DAGP.

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